A noite que deveria ser apenas de futebol na Ressacada acabou marcada por cenas de confronto e acusações graves. O jogo entre Avaí e Remo, válido pela Série B, transformou-se em um episódio que reacendeu debates sobre violência nas arquibancadas e comportamentos discriminatórios.
Agora, os acontecimentos do último sábado (15) estão sob investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que abriu duas frentes distintas para apurar o que ocorreu dentro e fora do estádio.
A primeira apuração é conduzida pela 29ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pela área do consumidor. O procedimento administrativo, instaurado após relatos de agressões envolvendo torcedores dos dois clubes, busca esclarecer a dinâmica das brigas registradas no entorno e nas dependências da Ressacada.
A Promotora de Justiça Priscila Teixeira Colombo solicitou informações à Polícia Militar sobre a identificação dos envolvidos e também notificou a torcida organizada Mancha Azul para prestar esclarecimentos.
A segunda linha de investigação concentra-se em uma denúncia mais específica e igualmente grave: a suspeita de crime de racismo motivado por xenofobia. A 40ª Promotoria de Justiça da Capital, que atua no enfrentamento ao racismo em todo o estado, pretende apurar a conduta de uma torcedora do Avaí que teria ofendido torcedores do Remo usando termos discriminatórios.
O Promotor de Justiça Jádel da Silva Júnior informou que o procedimento busca identificar a mulher, ouvi-la e verificar quais medidas o Avaí adotará diante do episódio.
Além das investigações, o MPSC destaca que atua também no campo preventivo. Em setembro, lançou a campanha “Nossa Torcida é pela Paz”, uma iniciativa construída com o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais, a Federação Catarinense de Futebol e os clubes participantes da Copa Santa Catarina.
A ação sensibiliza o público para a convivência pacífica nos estádios, com faixas, mensagens e intervenções que reforçam a necessidade de um ambiente seguro e acolhedor.
Com o avanço das apurações, o Ministério Público poderá recomendar novas medidas aos clubes e autoridades, reforçando que a responsabilidade pela segurança e pelo respeito nas arquibancadas é compartilhada por todos que fazem parte do espetáculo.
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