Ícone absoluto da cultura das aparelhagens no Pará, a Tupinambá - O Guerreiro Treme Terra está oficialmente de volta. O retorno, previsto para abril, marca uma nova fase de uma das aparelhagens mais tradicionais do estado e vem sendo conduzido pelo DJ Dinho, nome central da história do tecnobrega e uma das personalidades mais influentes da música paraense.
DJ Dinho explicou que a decisão de trazer a Tupinambá de volta nasceu da insistência do público e da força simbólica que a aparelhagem carrega. “Onde eu chegava, as pessoas perguntavam: ‘Dinho, cadê o Tupinambá? Traz de volta’. Isso mexeu comigo, com meu brio, com o ego também. A gente sabia que o apelo era muito grande”, afirmou.
Segundo ele, o retorno não é apenas nostálgico, mas estratégico e cuidadosamente planejado. “Cada volta é um recomeço. A gente pensou em tudo para estar à altura da expectativa do público. O caminho é árduo, mas não é impossível”, disse.
A Tupinambá tem mais de 50 anos de história e foi a primeira aparelhagem a ganhar projeção nacional, ajudando a consolidar o movimento aparelhagem como símbolo cultural do Pará. Recentemente, a trajetória ganhou um novo reconhecimento: a aparelhagem foi sancionada como Patrimônio Cultural Imaterial do município de Belém, tornando-se a única do segmento com esse título oficial. “Isso aumenta ainda mais nossa responsabilidade. A gente tem por obrigação devolver o Tupinambá muito bem reedificado para o povo”, destacou DJ Dinho.
Uma das grandes novidades dessa nova fase é o uso da inteligência artificial no desenvolvimento do projeto. De acordo com o DJ, a Tupinambá será a primeira aparelhagem projetada com apoio da IA, sem abrir mão da identidade humana e artística. “O projeto veio da IA, mas quem executa é o homem. A tecnologia está em tudo hoje, e a gente soube usar isso a nosso favor”, explicou.
O tradicional altar sonoro, marca registrada da Tupinambá, será totalmente repensado, com investimento pesado em iluminação, telões de LED e sistema de som, mantendo o lema que consagrou a aparelhagem: o som que faz a terra tremer.
O retorno da Tupinambá também terá um forte viés cultural. Por carregar um nome indígena, o espetáculo vai valorizar diretamente essa identidade. “Vamos montar uma abertura totalmente indígena, antes mesmo do show da aparelhagem, para fazer jus ao nome Tupinambá e valorizar a ancestralidade”, revelou DJ Dinho.
A proposta é unir tradição e inovação. “A gente vai fazer uma fusão entre ancestralidade e modernidade. Esse mix vai ser um grande diferencial dessa volta”, afirmou.
Três espaços estão sendo avaliados para sediar o grande retorno da aparelhagem: o estacionamento do Mangueirão, o estacionamento da Tuna ou a Aldeia Amazônia. A escolha final levará em conta logística, acessibilidade e conforto para o público.
Com mais de 40 anos de carreira, DJ Dinho é natural de Abaetetuba e iniciou sua trajetória ainda criança, aos 12 anos, ao lado do pai Andir Corrêa, fundador da Tupinambá, e dos irmãos Toninho e Andir. Criada na década de 1960, a aparelhagem nasceu em festas comunitárias e de padroeiros, até se transformar em um dos maiores símbolos do tecnobrega paraense.
Agora, em abril, o Tupinambá volta aos palcos para escrever um novo capítulo de sua história, unindo legado, tecnologia e identidade cultural, sob o comando de quem ajudou a transformá-lo em lenda.
JÚRI POPULAR Acusado de causar morte de mãe e bebê em 2021 é condenado
DESENVOLV. ECONÔMICO Governadora Hana Ghassan ressalta aliança entre poder público e setor produtivo na abertura da FIPA
CRIME EM BELÉM Suspeito de assalto à joalheria em Belém é preso em Santa Catarina
RELEMBRE O CASO Médico preso por arrastar namorada tem habeas corpus negado
MANIFESTAÇÃO DE FÉ Governadora Hana oficializa novena do Perpétuo Socorro como Patrimônio
SERVIÇO SOCIAL Prefeitura garante acolhimento de homem atacado com arma de choque
Mín. 20° Máx. 32°
Mín. 21° Máx. 32°
Parcialmente nubladoMín. 21° Máx. 32°
Chuvas esparsas