Com o atendimento do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), agricultoras chefes-de-família de Oeiras do Pará, no nordeste do Estado, vêm conseguindo melhorar qualificação, ampliar renda e profissionalizar as atividades nas suas propriedades.
De acordo com dados institucionais, a cada cinco famílias atendidas direta e indiretamente pela Emater no município, pelo menos duas têm à frente mulheres solteiras, divorciadas ou viúvas, a maioria mães solo. No dia a dia de campo, tornam-se responsáveis pelo sustento ou únicas provedoras do arranjo familiar, em um movimento feminista que vence na prática.
“São mulheres que assumem a liderança não só do lar, mas que também funcionam como arrimos da família. Elas plantam, colhem, pescam, vendem e administram. A Emater atua no incentivo à participação e na criação de mecanismos que aproveitem o potencial”, explica Andrezza Gonçalves, administrativa da Emater em Oeiras. Andrezza reforça a preocupação de se combaterem tabus ligados à figura da mulher na sociedade rural. “São trabalhadoras que merecem reconhecimento e para as quais existem políticas públicas direcionadas”, indica.

Nesse contexto, paira a sabedoria da pescadora e extrativista de açaí Maria Neli Machado, de 42 anos. No Sítio Urucuquara, dois lotes de sete hectares no total, com pés de açaí nativo na várzea do rio Oeiras, a divorciada, mãe de cinco filhos, reflete sobre a rotina esforçada e sobre a vida misteriosa.
“Tudo depende da maré. Tem maré boa, maré ruim. Maré favorável, maré desfavorável. A gente, que é mulher, mulher do interior, nasce contra a maré, enfrenta muitos desafios, só que vai aprendendo a nadar a favor da maré, e eu vejo o apoio do Governo como demais importante”, diz Maria Neli.

Na lida, ainda, três vezes por semana Neli e os primogênitos saem de canoa a remo,com linha e malhadeira, para pescar aracu, mandubá e pescada branca. O resultado varia de dois a dez quilos, destinados à própria alimentação e com comercialização do excedente para a vizinhança.
Neli e os filhos Rogério, Rodrigo, Roseane, Rosiel e Ronald, com idades entre 18 e 28 anos, sentam à mesa e consomem os produtos que eles mesmos produzem ou beneficiam. “Açaí, por exemplo, é sempre. Meio lata no almoço, meia lata no jantar”, calcula.
Para o futuro, muitos planos: comprar terras anexas, fortalecer o vínculo dos filhos com a sucessão do negócio e contratar créditos maiores, que permitam a continuidade do manejo e o incremento da pesca artesanal.
“A Emater é uma parceria forte, porque facilita esses acessos a recursos que nunca conseguiríamos sozinhos e ajuda com as informações técnicas, de como fazer, de quando fazer”, detalha.
Texto de Aline Miranda
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