No contexto das crises humanitárias dos últimos anos, o artista Renan Rosário traz reflexões acerca dos conflitos armados em suas peças cênicas. “Tempo de Guerra” é a temática do Ciclo de Desmontagem desta quinta-feira (24), que mistura teatro e audiovisual em uma apresentação aberta ao público. A programação começará as 19 h, na sala de dança da Casa das Artes, em Belém, unidade vinculada à Fundação Cultural do Pará (FCP).
O artista coloca no cenário as muitas guerras travadas em várias frentes, mas que acabam minimizadas
O artista, que usa o pseudônimo de Peixe, faz uma crítica à atenção seletiva que a sociedade dedica aos conflitos existentes pelo mundo. A proposta de sua desmontagem cênica não é rebaixar a dor vivida pelas famílias devastadas em países da Europa, mas atrair olhares para os povos e etnias historicamente assassinados, física, étnica e culturalmente na Amazônia e em países africanos.
“Parece tão comum as guerras no Haiti, que nem se fala mais sobre o assunto. Na Nigéria, Camarões, Bangladesh ou Venezuela. Esses povos são mortos em guerras todos os anos e não viram notícias”, ressalta o artista.
“De modo particular, os povos originários e tradicionais da Amazônia, há mais de 500 anos, seguem sendo exterminados. Isso não parece comover a maioria da população mundial. Nós, amazônidas, atravessamos um processo histórico de extermínio, e só quando países da Europa entram em conflito é que a mídia declara tempo de guerra?”, questiona.
Tempo de Guerra- “Há violência expressa nas minhas palavras; há violência expressa no meu corpo, mas isto é reflexo de uma dor ancestral, de feridas abertas entre as costelas do meu povo. O meu grito é de dor, pois para os povos tradicionais da floresta a violência e o genocídio vêm sendo operados há mais de 500 anos sem punição”, destaca Peixe, ao falar sobre sua obra.
Por meio das linguagens do audiovisual e da performance, o artista vai compartilhar com o público trechos de um trabalho que possui uma interface em vídeo e outra como espetáculo de artes cênicas. “Tempo de Guerra” aborda a luta dos povos tradicionais e originários na defesa da vida na Amazônia, assim como as relações de afeto do artista com suas figuras maternas.
Segundo Peixe, o público pode esperar uma demonstração poética autoral e contundente. “Ela será tão violenta e subversiva quanto sensível, assim como a partilha intensa das experiências vividas nos últimos 15 anos de criação e produção no campo das artes cênicas e da performance no contexto amazônico.
Peixe é artista independente, pesquisador do campo das artes cênicas e da performance, produtor cultural e produtor audiovisual. É formado em Dança pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e pós-graduado ema Arte Educação pela Escola de Teatro e Dança. Atualmente, dedica-se aos estudos do corpo e da performance, e já foi premiado nacionalmente com suas obras, que transitam entre diversas linguagens artísticas, como uma poética subversiva.
Serviço:Ciclo de Desmontagem: Tempo de Guerra, do artista Renan Rosário (Peixe). Dia 24 (quinta-feira), as 19 h, na Casa das Artes - Rua Dom Alberto Gaudêncio Ramos, 236, ao lado da Basílica Santuário de Nazaré.
Texto: Álvaro Frota - Ascom/FCP
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