"Ele se sentia retraído por não ter o olho direito. Não gostava de sair de casa. Fazia perguntas do porquê não ter um dos olhos e outras crianças tinham os dois. Evitava ir à escola, por isso, somente agora vai estudar por causa da timidez que a deficiência trazia para ele. Essa angústia acabou porque tudo se transformou com o recebimento da prótese, que já está proporcionando ao Ian uma nova vida". O relato é de Ana Carolina França, de 27 anos, mãe do centésimo usuário a receber prótese ocular do Laboratório de Próteses, do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém.
Com o procedimento realizado em Ian França, de apenas quatro anos, a instituição atingiu a marca de 100 próteses oculares entregues a reabilitandos com cavidade anoftálmica, que são aqueles que possuem apenas o espaço, sem o globo ocular na face. A conquista é representativa para a rede pública do Pará, que tem à frente o gerenciamento da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
Sem esconder a emoção, a mãe do pequeno usuário garante que a entrega da prótese provocará mudanças positivas não somente na vida da criança, mas também na da família.
"Certamente, a socialização dele vai melhorar, assim como a autoestima. Agora com a prótese, olhando para ele, nem parece que antes meu filho não tinha um dos olhos. Só gratidão por tanta felicidade e sonho realizado", disse a acompanhante de Ian, cuja família reside no município de Parauapebas, distante cerca de 720 km de Belém.
O secretário de Saúde do Estado (Sespa), Rômulo Rodovalho, destaca a importância dos trabalhos realizados no CIIR. "É sempre satisfatório saber de vidas sendo transformadas pelo serviço prestado pela nossa gestão. Parabenizo a equipe do CIIR pela marca alcançada e que continuem o bom trabalho em atender nossa população com excelência", declarou.
Prótese –Segundo Marcelo Carneiro, cirurgião-dentista e especialista em Prótese Bucomaxilofacial do Centro de Reabilitação, o Laboratório de Prótese Ocular da instituição oferta serviços diferenciados e de alta qualidade, com produção genuína de todas as fases de confecção das próteses na própria unidade, que realiza desde a pintura da íris até a confecção do globo ocular.
Ventosa (em laranja) auxilia na retirada da prótese para a sua higienização."Moldamos a cavidade anoftálmica do usuário para produzir a prótese personalizada no tamanho real da cavidade, totalmente diferente daquelas próteses chamadas de estoque, em que o tamanho e modelo são pré-fabricados", detalha.
O profissional explica que após a moldagem da cavidade, é fabricada a prótese em resina (a parte branca do olho) com o desenho das veias artificiais, considerando o biotipo de cada reabilitando, dando um panorama de estética real com o olho remanescente. "Após todo este processo, complementamos com uma camada de resina transparente para dar um brilho na prótese ocular. Com isso, realizamos a instalação no usuário", pontuou.
Após toda a etapa de entrega e a instalação da prótese ocular, o usuário recebe um manual com instruções de higienização e uso. "Acompanhamos o reabilitando em todos os quesitos, como adaptação, necessidade de ajuste; e quando necessário, avaliação para substituição da prótese. Além disso, orientamos a manutenção, como a higiene e cuidados com a prótese em casa", informou.
No CIIR, após a instalação da prótese, os usuários também podem contar com a manutenção oferecida no laboratório para uma maior vida útil do recurso.
Benefícios –Além de ser um meio estético para o reabilitando que perdeu o globo ocular, por acidente com trauma local ou por doença como o câncer, o uso da prótese, segundo o protesiólogo, é também funcional.
"Protege a cavidade de poeira, sujeira, além do mais, quando a pessoa não possui o olho, a pálpebra fica fechada e o cílio irrita a mucosa da cavidade anoftálmica, gerando incômodo e secreção local. A função da prótese sana todos esses problemas", reforça.
Carneiro ressalta ainda que a reabilitação de cavidade anoftálmica traz um grande benefício psicológico ao usuário. "A pessoa retorna ao convívio social sem a utilização de óculos escuros ou curativos para esconder a deformidade facial", conclui.
De acordo com a diretora executiva do CIIR, Rejane Xavier, a equipe multiprofissional da instituição vem cumprindo seu papel dentro da saúde pública de reabilitação no Pará, prestando assistência de qualidade, segura e humanizada.
"O alcance da entrega de 100 próteses oculares não é apenas estatística. O benefício é mais amplo. É transformação de vida, realização de sonhos e a certeza que o SUS é resolutivo. Parabéns a todos, especialmente, aos beneficiados pelos serviços oferecidos pelo CIIR".
Trabalho realizado por profissionais é minucioso e busca a reprodução realística do olho humanoEstrutura- O CIIR é referência no Pará na assistência de média e alta complexidade às Pessoas com Deficiência (PcDs) visual, física, auditiva e intelectual. Os usuários podem ter acesso aos serviços do Centro por meio de encaminhamento das unidades de Saúde, acolhidos pela Central de Regulação de cada município, que por sua vez, encaminha à Regulação Estadual. O pedido será analisado conforme o perfil do usuário pelo Sistema de Regulação Estadual (SER).
Serviço:O CIIR é um órgão do Governo do Pará administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). O Centro funciona na Rodovia Arthur Bernardes, n° 1000, em Belém. Mais informações: (91) 4042.2157 / 58 / 59.
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