Aos 47 anos, Márcia Araújo tem como única renda familiar a venda de produtos artesanais confeccionados em crochê. Ela produz sapatinhos e roupas para bebês, além de kits para banheiros e capas para garrafões de água e outros objetos. É dessa forma que ela sustenta a casa e o os dois filhos. Além de Márcia, outras 19 mulheres ganham novas perspectivas e esperança através das oportunidades promovidas pela parceria da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e a Secretaria Estratégica de Articulação da Cidadania (Seac).
Assim que soube da realização do curso de Customização de Sandálias que seria realizada na Usina da Paz do Jurunas/Condor, Márcia viu a oportunidade de agregar maior valor à remuneração pessoal e de seus produtos. “Vai incrementar também o meu trabalho porque já trabalho com crochê, e o macramê é um ponto muito bonito, algo a mais que vai aumentar a minha renda”, diz ela.
“É o primeiro curso que estou fazendo aqui e está sendo muito gratificante porque, como eu trabalho com artesanato, eu queria muito aprender as técnicas de macramê. Quando abriu o curso eu vim me inscrever porque quero aprender para fazer minhas sandálias e poder vender. Assim que tiver mais cursos na área de artesanato estarei aqui de novo”, garante Márcia.
A manicure Ruth Aquino, de 53 anos, também cria peças artesanais tendo como base o crochê, habilidade que aprendeu aos nove anos de idade. “Faço qualquer coisa em crochê”, afirma. Ela também já desenvolvia a customização de sandálias, mas utilizando miçangas. Agora, com a nova técnica do macramê dominada, ela pretende ampliar ainda mais o leque de criações e desenvolver os produtos que comercializa.
“Com mais essa técnica de macramê nas sandálias, nossa, vai incrementar ainda mais a minha vida. Vou levar em frente mesmo e ganhar dinheiro porque é uma coisa que gosto de fazer que é o artesanato, e a Usina está me dando essa oportunidade. Queria agradecer pelo curso, pela oportunidade e pretendo fazer outros cursos pra melhorar ainda mais e aprender mais técnicas”, afirma a manicure.
Lucas Maia, diretor da UsiPaz Jurunas/Condor, destaca que esse é mais um curso profissionalizante resultante da parceria com as secretarias do Estado, no caso a Seap e Seac. Ele lembra que a Secretaria de Administração Penitenciária já havia realizado a doação de 2 mil pares de sandálias há cerca de duas semanas e finalizou o processo da parceria promovendo o curso de customização de sandálias.
“É uma forma de empreender a comunidade, estar no território Jurunas e Condor, delas criarem uma fonte de renda. A Usina é uma ponte de mudança de vidas da população do território. Esse é mais um curso onde a gente acrescenta mais um degrau para que elas mudem de vida, e eles também, por que nossa turma predominante é feminina, mas temos um público masculino também. A usina é isso, portas e oportunidades para que eles mudem de vida e mudança de vida”, ressalta Lucas.
Reinserção -Raquel Lima, coordenadora de trabalho e produção da Diretoria de Reinserção Social (DRS) da Seap, explica que o curso de customização de sandálias com técnica de macramê permite ações de geração de renda e trabalho, mas também permite a ressocialização e a reinserção social. Isso porque quem ministra o curso é uma custodiada do Centro de Recuperação Feminino (CRF) de Ananindeua e que integra a Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe).
“A ideia é formar mulheres que consigam gerar renda através dessas sandálias com uma técnica e custo-benefício ótimo. E hoje elas vão aprender duas técnicas com uma interna que faz parte da Cooperativa Feminina do Sistema Penal”, destaca Raquel.
A servidora da Seap e tutora da Coostafe, Renata Carvalho, observa que o trabalho ajuda no processo de ressocialização das internas. Ela diz que é a forma que elas têm de trazerem para as UsiPaz o conhecimento que recebem na cooperativa através dos cursos e oficinas promovidos pela Seap.
“A ideia é essa, que elas tenham essa vivência, essa experiência de ministrar os cursos para quando elas saírem do cárcere. Essa parceria entre Seap e Seac é fantástica. Hoje é a quarta usina que estamos conseguindo ministrar este curso, como a própria Gisele fala: Está sendo muito importante para ela, por quê? Era uma vontade dela fazer os cursos e hoje ela está aqui ministrando um curso, podendo passar o que aprendeu lá dentro do Centro de Reeducação Feminino (CRF)”, destaca Renata.
De roupinhas para bonecas aos figurinos das óperas no Theatro da Paz
A Gisele citada por Renata Carvalho é Gisele Venâncio, de 41 anos. Atualmente ela é interna do CRF, mas desde que passou a integrar a Coostafe suas perspectivas futuras mudaram. A paixão pela costura em geral e a oportunidade conquistada na cooperativa reacendeu o antigo sonho de adolescente. “Eu tenho um sonho desde os 13 anos que era ter meu ateliê, então comecei a costurar roupinha de boneca e hoje faço roupas para óperas do Theatro da Paz”, diz orgulhosa.
Gisele ministra o curso de costumização para outras mulheres. Ela conta que também está ensinando outras amigas do CRF. “Estou muito feliz e quero levar pra frente e terem o mesmo sonho que eu e quando sair (em liberdade) eu vou fazer o que quero, que é ter meu ateliê, minha própria loja”, assevera.
“Pra mim está sendo gratificante ensinar. O que eu queria era sempre aprender, mas hoje em dia estou sendo uma professora, ministrando esse curso de customização de sandálias. Está sendo maravilhoso pra mim e tudo que aprendi eu estou passando pra elas.. Quero me profissionalizar e levar pra frente tudo, não só o macramê, mas o bordado, a costura, no desenho, ensinar os meus filhos e mostrar pra eles que vale a pena que vale aprender coisas simples que a gente pode aumentar e fazer um mundo maravilhoso”, concluiu Gisele.
Texto de Márcio Sousa / Ascom Seap
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