O caso que a comunidade de Marabá acompanhava com apreensão e esperança de um final feliz, teve um desfecho trágico na noite deste sábado (27/1): a jovem Tereza Bianca Nunes de Castro, de 23 anos, faleceu em leito do Hospital Regional. A situação dela se tornou conhecida após a família denunciar ao Conselho de Saúde que ela teve o intestino perfurado e que isso teria ocorrido durante o parto do seu segundo filho, em 24 de outubro do ano passado, no Hospital Materno Infantil de Marabá.
Na ocasião do parto cesário, o bebê, que está vivo, também teve o braço direito fraturado. O óbito de Tereza se deu por volta das 20 horas de ontem, sendo o corpo dela liberado para a família na madrugada deste domingo. O velório está ocorrendo na igreja Tenda da Família, no Bairro Laranjeiras e o sepultamento será às 16 horas de hoje, no Cemitério da Saudade, na Folha 29. O jornal não conseguiu informações oficiais do Hospital Regional sobre o que vai constar como causa da morte da paciente.
Como já publicado pelo Correio, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) solicitou, de imediato, o afastamento da secretária municipal de Saúde, do médico que fez o parto e também a direção do HMI.
Durante a reunião do CMS esta semana foram apresentadas imagens da paciente com as vísceras expostas, uma imagem de embrulhar o estômago e causar indignação em qualquer ser humano.
A mãe de Tereza, Rejane Nunes de Castro, também esteve presente na reunião e relatou que a filha estava em uma situação deplorável no Materno Infantil, depois de dar à luz. “Ela foi pra ter um bebê e aconteceu tudo isso. No HMI ela me contou que foi muito maltratada; jogaram ela numa sala sem medicação”, relata.
Ao ver a filha naquele estado, Rejane exigiu que ela fosse transferida para o Hospital Municipal de Marabá (HMM), mas a informação que foi repassada a ela é de que a paciente só poderia ser levada para outra casa de saúde depois que se passasse o período de 30 dias.
Foi aí que Rejane tomou providências mais severas e registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil. Somente depois disso ela foi transferida. Mas lá no HMM os recursos não foram capazes de salvá-la e ela teve de ser transferida para o Hospital Regional, onde ela já passou por 11 cirurgias.
REVOLTA
Com a morte de Tereza, o caso agora toma outros contornos. Ouvida novamente pelo Correio nesta manhã de domingo, enquanto vela o corpo da filha, Rejane já declarou que irá até as últimas consequências para ver justiça pela perda da sua filha. Já fala em realizar atos públicos em protesto e cobrando que sejam identificados e punidos os responsáveis. “Não vou desistir!”, disse ao jornal.
Tereza deixa órfãos o bebê recém-nascido, que é um menino e outro de dois anos.
HMI emite nota
Sobre o caso em questão, ocorrido em outubro de 2023, o Hospital Materno Infantil (HMI) disse que abriu, imediatamente, sindicância interna, afastou o profissional responsável pela ação e comunicou ao Ministério Público que o caso estava sendo investigado pelo HMI.
A paciente foi internada no Hospital Municipal de Marabá (HMM), tendo sido prestada toda assistência necessária à família. Posteriormente, ela foi transferida ao Hospital Regional do Sudeste do Pará.
“Vale ressaltar que no HMI são realizados mais de 600 partos bem sucedidos por mês, destes, mais de 50% encaminhados por municípios vizinhos, que não prestam o mínimo suporte de Atenção Básica de Saúde às gestantes, como o pré-natal”.
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